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Carioca, devoradora de bacon, estudante de RI com fortes tendências geeks, mochileira de carteirinha, viciada em pinterest e sonhadora de plantão.
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Fernanda Maia

Carta ao meu primeiro namorado





Engraçado como as coisas são. Quem é você hoje em dia e quem sou eu? Pessoas tão distintas que poderiam nunca ter se cruzado. Estranhos na fila do cinema. Do que se passou já não existem nem sombras, as fotos foram guardadas numa caixa bem lacrada no fundo do armário, os amigos nem tocam no assunto (seria doloroso?), as paisagens são outras, os sonhos mudaram completamente. O tempo passou.
Passou e eu cresci, você mudou e até engordou. E eu que um dia achei que você seria o meu único homem, que “os nossos destinos foram traçados na maternidade”, mas assim como Cazuza teve muitos homens depois de escrever exagerado, depois de você alguns vieram e muitos ainda estão por vir. Mas eu nunca te esqueci.
E por mais que eu me lembre de você todas as vezes que Chico recita “quantos homens me amaram. Bem mais e melhor que você”, ainda assim uma coisa dentro de mim (uma ou duas vezes ao ano, hoje em dia com bem menos frequência que antes) não deixa de se perguntar 'como será que ele está? Será que ainda gosta das mesmas coisas? Será que ainda ouve as mesmas músicas, faz os mesmos programas, gosta dos mesmos filmes?'.
Tantos anos se passaram e alguns namorados foram e vieram, mas você ainda vive aqui, escondidinho no meu coração para lembrar a mim mesma da ingênua garotinha de colégio apaixonada que já fui. Do quanto sou capaz de amar louca e cegamente. Claro que esse tipo de amor também vem acompanhado de uma enorme falta de maturidade, mas o que é o amor se não a entrega ilimitada a um momento ou a uma pessoa (naquele momento). E isso eu posso dizer, como uma das poucas certezas que tenho nessa vida: eu te amei insana e loucamente. Como creio jamais ser capaz de amar de novo.
A gente vai se tornando racional demais com o tempo. O amor dói, machuca, incomoda e é difícil de apagar (alias, nunca se apaga completamente). Então a gente raciocina mais e mais a cada vez, a cada ato, a cada fala e vai perdendo a espontaneidade da coisa. Aquela vontade de fazer coisas malucas, de se jogar de um prédio, de gritar na chuva, de escrever na areia. Vamos parecer bobos, infantis e apaixonados demais. Vamos afastar o outro.
O que não deixa de ser verdade. Mas por quê? Se no fundo, no fundo o que todo mundo quer é aquele amor entregue, maluco, apaixonado, sem barreiras, como o primeiro amor.
Eu sei que doeu, eu sei que machucou. Sei também que não fui perfeita, como você estava igualmente longe de ser. Mas só tenho a te agradecer. E não estou falando das coisas boas, estou falando de tudo o que passei depois do fim.
Talvez eu nunca tenha chorado tanto, mas aquilo me ajudou a superar outras crises depois, me ensinou que ninguém morre de amor a não ser que queira e que eu posso e vou ainda ser muito amada por vários homens e eles vão sim me tratar bem melhor do que você. Eu aprendi que quem não vive várias experiências não amadurece, não sabe lidar bem com as situações da vida. Eu tinha mesmo que ter me jogado no mundo, ter experimentado de tudo, para enfim saber o que eu realmente quero. Tá, eu ainda não descobri, mas pelo menos sei que estou no caminho. E cada vez que eu olho para trás eu vejo o quão distante eu estou daquela menininha que se entregou a você como se não existisse mais ninguém no mundo. Hoje eu tomo as minhas próprias decisões, sou capaz de me sustentar em qualquer lugar do mundo, sou feliz sendo simplesmente eu, sem precisar me amparar em você.
Então, obrigada por ter me traído, por ter me amado sem ter feito disso a saga de nossas vidas. Graças à sua falha eu me fortaleci, eu cresci. Então eu só queria algum dia ter a chance de te dizer: "obrigada, foi um prazer conhecer você."

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